29/03/2020 às 13h02min - Atualizada em 29/03/2020 às 13h02min

Estudantes e professores universitários produzem máscaras de proteção com tecnologia 3D

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As universidades catarinenses paralisaram as atividades como medida para evitar a propagação da Covid-19. Mas nem por isso alunos e professores deixaram de trabalhar ou elaborar soluções para o combate à pandemia. É o que tem feito Gabriela Chicarelli, estudante de Design de Produto da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Desde a última segunda-feira, 23, junto com colegas e professores, a jovem está imprimindo com tecnologia 3D máscaras plásticas de proteção que serão usadas por motoristas e garis. A intenção é produzir nos próximos dias cerca de 1200 itens.
 
Atuando para desenvolver os modelos e ajudando na coordenação da equipe, a professora do curso de Design de Produto da UFSC Regiane Trevisan Pupo organiza todos os trabalhos virtualmente. Tudo é feito de maneira remota e com equipamentos de impressão em 3D que possam ser usados em casa. O objetivo é dar conta de produzir 200 máscaras por dia com ajuda de voluntários, alunos e professores do Laboratório de Prototipagem e Novas Tecnologias Orientadas ao 3D, o Pronto 3D.
 
O estopim para iniciar os trabalhos foi a constatação de Regiane de que a maiorias das máscaras produzidas por outros laboratórios eram direcionadas para as unidades de terapia intensiva (UTIs) e centros cirúrgicos. Ela percebeu que outros profissionais também precisariam de equipamentos próprios, como motoristas e garis. “Ninguém estava fazendo para eles. Eles também precisam de proteção”, justificou a professora.
 

Laboratórios Pronto 3D em SC são criados com recursos da Fapesc

Em 2013, quando Regiane planejava instalar um laboratório de prototipagem para impressão em 3D, a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc) foi uma das grandes apoiadoras dessa iniciativa inédita nas universidades. Tanto que a fundação, hoje vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, contribuiu para a expansão do projeto para instituições de ensino de outras três cidades: Criciúma, Chapecó e Lages.
 
A Fapesc destinou recursos para a compra de impressora 3D, máquina de corte a laser e máquina CNC (também para produção de modelos), além de treinamento dos profissionais. Assim começou a operação das primeiras fábricas digitais em Santa Catarina.

 

Outras iniciativas no estado

Em Criciúma, a equipe do Pronto 3D instalado do Colégio, Faculdade, Extensão e Centro Tecnológico (Satc) também produz emergencialmente as máscaras. O coordenador do laboratório, Daniel Fritzen, conseguiu apoio de alunos e professores para imprimir de casa os EPIs, que serão destinados aos profissionais de saúde, que são mais expostos à contaminação.
 
A iniciativa em Criciúma surgiu com a demanda na cidade e foi possível a partir de experiências de outros laboratórios internacionais que também ajudaram vários países no combate à pandemia. “Com esse período de quarentena que estamos vivendo, com possível agravamento da pandemia, naturalmente nos vimos convocados a participar deste movimento”, destacou.
 
“Esse investimento em tecnologia e pesquisa causa impacto por muitos anos e de maneiras diferentes na sociedade. O papel da Fapesc é justamente esse: buscar inovação, criar estruturas tecnológicas e de conhecimento que permitam que Santa Catarina reaja mais prontamente aos desafios”, reforçou o presidente da fundação, Fábio Zabot Holthausen.
 
Já o secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Lucas Esmeraldino, reiterou a importância da solidariedade de pesquisadores e profissionais de inovação para a busca de soluções. “O momento é de união, para que juntos possamos enfrentar essa pandemia. Vamos aliar o que temos de melhor para contribuir com o bem das pessoas que precisam estar nas ruas em prol da sociedade”, frisou Esmeraldino.
 
Em Chapecó, a técnica do laboratório Pronto 3D da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), professora Carla Secchi está verificando a possibilidade de começar as impressões nos próximos dias. Para isso, ela está buscando apoio com a universidade. A ideia é testar na próxima semana os modelos de máscaras que devem ser destinados aos profissionais da saúde, especialmente dos hospitais da região.

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