16/08/2021 às 14h11min - Atualizada em 16/08/2021 às 14h11min

Número de feminicídios cai 30% em SC, mas pedidos de medida protetiva têm alta

22 mulheres morreram em 2021 em decorrência do crime, enquanto mais de 10 mil medidas protetivas foram solicitadas de janeiro a julho

Diane Bikel
Foto: Diorgenes Pandini / NSC Total

Os números de feminicídios de janeiro a julho de 2021, em relação ao mesmo período do ano passado, diminuíram cerca de 30% em Santa Catarina. Os dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP/SC) mostram que 22 mulheres foram mortas por homens neste ano. Esse registro, em 2020, foi de 31 mortes.

Apesar da queda desse número, os pedidos de medida protetiva de urgência aumentaram cerca de 17%. No ano passado, no período analisado - de janeiro a julho -, os pedidos chegaram a 9103. Esse ano, no entanto, esse registro foi de 10.912.

Mesmo com a queda no total de feminicídios, os números preocupam. Os dados deste ano indicam que três mulheres morrem por mês no Estado pelo fato de serem do sexo feminino ou em decorrência de violência doméstica.

O número de pedidos de medida protetiva de urgência em Santa Catarina em julho chegou a 1.489, segundo o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). O que significa que 48 mulheres pediram ajuda da polícia, apenas em julho, com medo do feminicídio. 

De acordo com a delegada Patrícia Zimmermann, coordenadora da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (​DPCAMI) do Estado, na maioria dos casos de feminicídio registrados, não houve uma denúncia ou um registro de boletim de ocorrência antes da morte. A denúncia, logo no início da violênica, pode evitar muitos desses casos, conforme afirma a delegada. 

- Quando as mulheres pedem medida protetiva de urgência, elas entram na proteção do Estado. E aí caso o homem descumpra essa medida, ele pode ser preso - comenta.

Segundo Zimmermann, as mortes por feminicídio costumam acontecer em três momentos específicos da vida da mulher. 

- Normalmente, o feminicídio ocorre no rompimento [do relacionamento], quando a mulher está em uma nova relação, ou então no momento de partilha de bens, após a separação - explica.

Em comparação ao último ano, o número de pedidos de medida protetiva de janeiro a julho teve um aumento de 1809 registros. A delegada explica que não tem como dizer o que ocasionou essas diferenças nos números, e que isso pode vir a aumentar ou não.

Zimmermann relata a importância da lei aprovada na última semana, sobre crime de violência psicológica contra a mulher.

A lei assegura que qualquer mulher vítima de violência psicológica possa denunciar, independentemente do espaço em que os abusos acontecem. Toda mulher que sentir dano emocional pode registrar uma ocorrência, de acordo com a legislação.​

- A violência precisa ser identificada no início para evitar casos graves. Tudo que gera prejuízo à saúde da mulher é um ato de violência - diz Zimmermann.

- Nós temos na sociedade uma naturalização da violência, e isso é um problema. Não vai começar com um soco, vai começar no ciúme excessivo, na culpa, na violência psicológica - completa.

Ciclo da violência

O violentômetro do Estado explica, de maneira clara, quais os sinais de violência e quando é imporante reagir para evitar que algo ocorra.

 

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