20/08/2020 às 19h36min - Atualizada em 20/08/2020 às 19h36min

Nevasca histórica: Há 63 anos, Santa Catarina viveu o inverno mais rigoroso de todos os tempos

A neve foi tanta que 15 dias depois ainda era possível ver amontoados de gelo nos campos

TBT - NSC TV
Foto: Bampi/Divulgação
     Um horizonte branco. Assim pode ser descrito o dia 20 de julho de 1957, quando sete horas ininterruptas de neve cravaram a data na história catarinense. Os flocos de gelo, que começaram a cair do céu por volta de dez horas da manhã são, até os dias de hoje, a maior nevasca do Estado e a segunda maior do país. Ela fica atrás, apenas, do registro realizado em Vacaria, no Rio Grande do Sul, em 07 de agosto de 1979, quando o acumulado criou uma camada de dois metros. Por aqui, a neve marcou 1,30 metro.
     Na época, o município da serra de Santa Catarina, São Joaquim, tinha em torno de 10 mil habitantes e, apesar de acostumados com episódios de neve nos dias mais rigorosos do inverno, o fenômeno naquele ano causou preocupação. A neve foi tanta que 15 dias depois ainda era possível ver amontoados de gelo nos campos.

A nevasca também trouxe apreensão

     A neve criou em São Joaquim um cenário difícil de acreditar que se trata de uma cidade brasileira. O país tropical, visto mundialmente como destino de turismo, principalmente, por causa das belas praias, contrasta com as fotografias que mostram a vastidão do campo coberto de neve, com telhados e árvores repletos de flocos brancos. O fenômeno foi ainda um prato cheio para a imaginação: foram inúmeros bonecos de gelo construídos durante todo o dia em que nem o frio e nem a neve deram trégua.


 
     Porém, apesar de acostumada com nevascas leves todos os invernos, a cidade não estava preparada para a força da natureza daquele ano. O peso da neve quebrou galhos, destruiu telhados, dizimou criações e fez com que os acessos a São Joaquim fossem bloqueados por dias. Depois da euforia inicial, o medo tomou conta dos moradores. Um avião da Força Aérea Brasileira foi destacado para o município a partir da base aérea de Curitiba. Ele chegou, de acordo com relatos de moradores, três dias após a nevasca, carregado de suprimentos, roupas e medicamentos, que foram despejados sobre um campo de futebol.

Episódio gerou incentivo ao turismo de inverno

     Apesar dos desafios que a nevasca gerou em 1957, o episódio foi importante para que Santa Catarina despertasse para o potencial turístico da região. Atualmente, o governo estadual incentiva visitantes a percorrerem o Caminho das Neves. O roteiro pela serra catarinense contempla nove cidades de onde é possível, ocasionalmente, acompanhar o fenômeno da natureza. Os municípios também se preparam para receber os turistas com estrutura viária, hotelaria e restaurantes.

Neve continua marcando a história catarinense

     Depois de mais de 60 anos a nevasca histórica ainda não foi superada, mas recentemente o fenômeno voltou a chamar a atenção. Em 2013, houve registro, em uma mesma semana, de neve em 107 localidades e de chuva congelada em outras 34, inclusive em regiões mais afastadas da serra catarinense, como o caso de Palhoça, na Grande Florianópolis.

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