20/07/2020 às 17h41min - Atualizada em 20/07/2020 às 17h41min

Especialistas avaliam avanços nas pesquisas de vacinas contra a Covid-19

Testes preliminares mostram que as duas vacinas, uma britânica e uma chinesa, são seguras e induzem a resposta imune contra o novo coronavírus, Sars-Cov-2, que provoca a Covid-19.

G1
Foto: Zhang Yuwei/Xinhua via AP
     Nesta segunda-feira (20), duas vacinas contra a Covid-19 - a de Oxford e da chinesa CanSino - apresentaram resultados positivos em estudos preliminares. Ambas mostraram resposta imune ao vírus e bons índices de segurança.
     Os resultados são dos ensaios clínicos ainda em fase preliminar (fase 1 e fase 2). É no ensaio de fase 3, com um número maior de participantes, que a eficácia da vacina é comprovada em uma população maior, antes de considerar sua comercialização em larga escala.
 
     Abaixo, veja a avaliação de médicos e cientistas sobre quais as perspectivas que os resultados apontam.
 
Roberto Medronho, infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sobre a vacina de Oxford: “Na verdade é um resultado já esperado, ou não passaria para a fase 3, que é aquela pesquisa em seres humanos em uma maior quantidade, como agora nós estamos vendo. Há milhares de pessoas participando do ensaio clínico na fase 3”, disse Medronho.
“Ela tem o poder de produzir imunidade nas pessoas que tomaram a vacina. Mas, agora, neste momento, o que está sendo realizado inclusive com o Brasil participando, que é a fase 3, é que será a pesquisa decisiva para o uso em larguíssima escala da vacina. E aí entraríamos no que a gente chama a fase 4, que é a fase pós-comercialização”, afirmou.
 
Jamal Suleiman, infectologista do Instituto Emílio Ribas, sobre a vacina de Oxford: “É muito importante, porque isso é ciência, esse é o tempo da ciência. Então, os dados preliminares desse artigo que acabou de ser publicado online na Lancet, cujo autor, o primeiro deles inclusive, que é o Pedro, é um médico brasileiro, que se encontra lá, e por acaso é um ex-residente meu, então, é um prazer imenso tê-lo em um grupo tão importante quanto esse”, disse Suleiman.
“Com uma única dose, que isso é outro dado interessantíssimo, a vacina (de Oxford) é capaz de produzir uma resposta com baixos eventos adversos, ou com poucos eventos adversos. E esses eventos adversos, na amostra testada, eles não tiveram impacto significativo. Então, com uma única dose, você é capaz de promover uma resposta. O que se quer entender é por quanto tempo esta resposta será mantida”, completou.

Alberto Chebabo, infectologista e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Infectologia: “A vacina está muito mais adiantada em termos de pesquisa, de evolução, do que uma medicação”, disse Alberto Chebabo.
 
Chrystina Barros, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ): “O mundo está vendo uma vacina ser desenvolvida em tempo recorde. A gente antes disso tinha a vacina da Mers desenvolvida em 4 anos. É claro que por falarmos de uma vacina de uma família de vírus, que já havia uma vacina, anterior, isso facilita. Tudo faz a gente ter mais otimismo, mas a gente continua tendo sim que ter cautela. Até chegar na fase final, fase 3, em que as pessoas tomem a vacina, a gente tem que ter muito cuidado, mas a comunidade científica de uma forma geral está bem otimista”, avalia Barros.
 
Atila Iamarino, biólogo e divulgador científico: “Vacina em testes é como anunciarem que vão limpar o Rio Tietê em São Paulo. A intenção é ótima e pra quem é de fora, parece super promissor. Mas pra quem conhece o histórico, vale esperar pra ver”, ressalta Iamarino
 
Marco Krieger, vice-presidente de produção e inovação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz: “Nós temos dois gargalos importantes. Primeiro, é garantir que esta vacina tenha eficácia e segurança. E isso a gente está avançando nos ensaios clínicos que estão se dando de uma forma célere. Por dois motivos, inicialmente porque nós estamos enfrentando uma pandemia inédita, então isso fez com que a gente tivesse a possibilidade de acelerar um pouco os estudos, mas, ao mesmo tempo, essa plataforma é uma plataforma que foi desenvolvida em um programa para enfrentamento dessas doenças como a gente chama de emergentes”, aponta Krieger.
 “Só para resumir, nos últimos 20 anos, a gente teve três emergências de coronavírus, tivemos uma emergência do Influenza pandêmico, tivemos ebola na África, tivemos zika aqui no Brasil, e isso fez com que os atores de saúde global fizessem um investimento em plataformas que pudessem trazer essa resposta de forma célere”, conclui.
 
Ariane Gomes, imunologista: “Bons resultados da vacina, mas novamente, resultados de fase I/II só dizem que a vacina induz uma resposta no organismo, o que era esperado visto que o vetor viral é bem imunogênico. Se esse resultado é relevante, só saberemos na fase III”, afirma Gomes.

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