07/05/2020 às 12h38min - Atualizada em 07/05/2020 às 12h38min

Educação monta força-tarefa para garantir que alunos de comunidades distantes recebam atividades impressas

Divulgação
Entregar as atividades para todos os alunos foi encarada como uma missão para Elizelaine Salete Salmoria Gomes, a diretora da Escola de Educação Básica Carlos Fries, localizada no município de Ipira, no Meio-Oeste de Santa Catarina. Como a família de muitos alunos não têm acesso à internet ou carro para deslocamento, ela recorreu a vizinhos, parentes ou até mesmo a professores da rede que passam próximos à casa de algum desses estudantes para fazer a entrega do material impresso durante o período de suspensão das aulas presenciais.

“Temos o privilégio de conhecer as famílias de nossos alunos, por sermos um município pequeno, e acabamos mergulhando na realidade de cada um. Não deixamos de entregar atividades para nenhum aluno. Isso tudo se dá através de um esforço conjunto de toda a equipe da escola. Fazemos semanalmente uma reunião online para expor todas as dificuldades da semana e assim vão surgindo possibilidades de soluções com o grupo”, destaca Elizelaine.

O mesmo esforço para entregar as atividades impressas para alunos sem acesso à internet está sendo feito por vários gestores escolares e professores da rede estadual. Como em muitos casos não há possibilidade de deslocamento da família do aluno até a escola, vizinhos ou colegas que auxiliam na entrega são instruídos a seguirem as orientações sanitárias da Secretaria de Estado da Saúde, ao retirar o material na unidade de ensino e entregar ao estudante.

O secretário de Estado da Educação, Natalino Uggioni, destaca que o desafio durante a pandemia é inédito para a educação estadual e que tem sido possível por conta do envolvimento e comprometimento dos educadores. Além disso, ressalta que a participação dos pais nesse processo, acompanhando e participando das atividades com os filhos, é uma condição chave para obter êxito.
“O protagonismo das nossas equipes gestores, o protagonismo dos professores e a participação dos pais nesse processo têm sido determinantes para que a gente possa realizar as atividades não presenciais. Assim, podemos cumprir da melhor forma a responsabilidade para com as atividades correspondentes ao ano letivo de 2020”, afirma Uggioni.

Possibilidade de apoio do transporte escolar
No caso de alunos que moram muito longe da escola ou em locais de difícil acesso, os gestores escolares podem solicitar apoio do transporte escolar para a Secretaria de Estado da Educação. Apesar de o contrato do transporte de alunos ter sido temporariamente suspenso em abril, por conta da interrupção das aulas presenciais, a SED fará o pagamento dos custos da operação de forma individual e imediata, quando houver a necessidade de apoio na distribuição da alimentação escolar ou de material de estudo para as atividades não presenciais.

A expectativa atual é que o transporte escolar seja utilizado para a entrega de materiais para ao menos 900 alunos na rede estadual. O levantamento continua sendo feito pelas Coordenadorias Regionais de Educação. A coordenadoria regional de Canoinhas solicitou apoio para a distribuição nos municípios de Bela Vista do Toldo, com 258 alunos, e Major Vieira, com 125 alunos. Na coordenadoria de Ibirama, será feita a entrega das atividades nas Reservas Indígenas de José Boiteux, onde cerca de 500 alunos são atendidos.

Travessia de balsa com os materiais

Para muitos alunos da EEB Teixeira de Freitas, no município de Alto Bela Vista, no Oeste do Estado, o deslocamento até a escola envolve também uma travessia de balsa pelo Rio Uruguai. Como muitos alunos moram longe da escola, alguns a 18 quilômetros de distância, a entrega dos materiais impressos para os estudantes sem acesso à internet é um desafio ainda maior.

Para não deixar os alunos sem estudo durante esse período, a solução encontrada pela diretora da unidade, Rosangela Freis Schwingel, foi combinar com os pais de fazer o envio do material com os profissionais responsáveis pela travessia de balsa, sempre com os cuidados para evitar o contágio pelo novo coronavírus. Nos casos de alunos que a família não tem telefone, a escola entrou em contato com algum vizinho para informar aos pais do estudante e auxiliar na entrega do material.

Alternativas para a escola que atende alunos de 32 municípios

Na coordenadoria regional de educação de Lages, a maior em extensão territorial, alguns gestores escolares também tiveram que elaborar um cronograma de entrega. Na EEB Leovegildo Esmerio da Silva, em São José do Cerrito, a diretora identificou os alunos que não podem buscar o material e tem visitado a família para fazer a distribuição das atividades impressas.

No caso da unidade agrícola do Cedup Caetano Costa, em São José do Cerrito, que atende estudantes que moram em 32 municípios da região, a comunidade escolar propôs uma alternativa para auxiliar os alunos que não podem se deslocar até a escola. Alguns pais vão até a escola, retiram o material do filho e também de alguns colegas e levam para a cidade onde residem. Os familiares dos demais alunos do município vão até o portão da casa de quem trouxe as atividades e recebem o material, sempre seguindo os devidos cuidados de higiene e evitando aglomerações.

Outra situação que exigiu ações da escola e da coordenadoria foi uma aluna de Lages que mora com a mãe no município e tem a guarda compartilhada com o pai, que mora em Florianópolis. Como ela estava com o pai no início do período de isolamento social, ela teve que permanecer longe da escola e não tinha como retirar as atividades impressas. As coordenadorias de Lages e Florianópolis atuaram para encontrar uma unidade de ensino estadual próxima da residência do pai, ele por sua vez foi até a unidade de ensino retirar as atividades impressas elaboradas e enviadas por e-mail pelos professores da aluna.

Apoio dos meios de comunicação para divulgar a retirada

A coordenadora regional de Lages, Claudia Maris Coelho Pezzi, destaca que os gestores escolares enviam as informações das datas e horários de retirada dos materiais para as rádios locais, que têm alcance entre a comunidade escolar de alguns municípios. Até porque, conforme a coordenadora, algumas escolas têm muitos estudantes sem acesso à internet para acompanhar as últimas informações, as quais também podem ser consultadas pelo 0800 644 7890 da SED.

A coordenadoria regional de Jaraguá do Sul também tem apostado na comunicação por vários canais para informar aos alunos sem acesso à internet. A equipe técnica criou uma planilha online para atender as ligações do 0800 regionalizado e informar rapidamente às famílias as datas e os horários para retirada do material impresso e os detalhes das atividades não presenciais que estão sendo entregues.

Quando a família não consegue buscar, os gestores escolares e a coordenadoria regional providenciam a entrega na residência das atividades. Conforme Fernando Alflen, coordenador da regional, os canais de divulgação incluem o site da SED e a página da escola, além das rádios e dos jornais locais para atender os alunos sem telefone ou que moram em local sem cobertura de telefonia.

Orientação aos pais com acesso à internet

As coordenadorias também identificaram que alguns pais com acesso à internet têm comparecido à escola para fazer a retirada das atividades impressas. A coordenadora regional de Itajaí, Cleonice Monteiro Berejuk, explica que tem orientado os familiares para que o estudante acesse o ambiente virtual preparado pela SED para interagir com os demais alunos e professores, de forma que as atividades impressas sejam retiradas apenas por alunos com acesso restrito ou sem internet.

Em Criciúma, a coordenadoria regional tem usado diversos canais para tirar as dúvidas dos pais e alunos sobre as novas ferramentas. Além de grupos no WhatsApp com a comunidade escolar e vídeos de professores para os alunos, a coordenadoria agendou horários individuais com professores e estudantes de forma presencial, com todos os cuidados de higiene, para tirar as principais dúvidas e facilitar a continuidade das atividades.

“Estamos trabalhando junto às nossas escolas a importância de utilizar as ferramentas digitais que estão à disposição dos professores e estudantes. Este momento é essencial para que a tecnologia chegue de forma efetiva na aprendizagem dos alunos. É um grande desafio, mas, com esforço e vontade de todos, estamos atingindo nossos objetivos”, completa a coordenadora regional de Criciúma, Ronisi Silva Guimarães.

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